O patamar da liberdade
Foto | photo: Aleksandra Zaborowska
Aquela fase da vida em que já não queres saber, nem te importas, com o politicamente correcto, com o que passa na mente das outras alminhas que gostam de conjeturar à cerca da tua vida mais do que tu própria conjeturas, estou completamente enfiada nessa fase. E sinto que, por muitos desgostos afectivos e emocionais que ela me tenha trazido e ainda traga, é a fase da realidade nua e crua e é com ela que devemos viver.
Pouco antes dos 30 comecei a achar que já tinha idade suficiente para não dar satisfação dos meus actos a quem quer que fosse. Assumi sempre e de cabeça erguida culpas e erros, porque quem decide pela sua própria cabecinha nem sempre acerta mas isso é normal e é assim que deve ser encarado. Por isso, algumas vezes perdi mas outras ganhei, ganhei porque arrisquei, porque não pensei se devia, se podia, ou o que o outro acharia ou pensaria. É um processo difícil e demorado, passei mais de 20 anos a achar que devia pensar no mundo inteiro antes de olhar para os meus interesses e vontades, portanto, acho justo, que o reaprender, o desligar, o mentalizar de uma nova forma de pensar e de viver leve mais um tanto de tempo.
Agora, já nos "entas", olho para mim e percebo que finalmente consegui. Consegui fazer o que quero e como quero, se vou chatear alguém com isso? Sim, muita gente já saíu chateada, mas como diz o ditado "mais vale só que mal acompanhada". Se há pessoas que nos observam, não concordam e não perguntam o porquê, preferindo criar rancores, inimizades, fazer conjeturas negativas - sim, porque nunca é nada de positivo é sempre negro... se ela fez foi porque não gosta de mim, quer me magoar, etc... podiam pensar: se ela fez assim foi porque achou que seria o melhor para ela... mas não, as decisões de uma pessoa nunca são, no pensamento alheio, decisões em função do próprio umbigo mas sim do umbigo do próximo, deixem-me que vos diga... parem de se achar o centro do Universo... às vezes eu penso em mim primeiro, desculpem lá o mau jeito! - é porque simplesmente essas pessoas não foram talhadas para fazer parte do resto da nossa vida.
E a verdadeira liberdade pessoal apenas se consegue assim... ao atingir o patamar do amor próprio.

